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História

Situada no extremo sul do concelho da Trofa, São Mamede do Coronado faz fronteira com as freguesias de São Romão do Coronado, Muro, num pequeno ponto com Covelas e com as maiatas de Santa Maria de Avioso, Silva Escura e Folgosa.

No passado o termo "Villa" sobreviveu a todas as invasões e devastações posteriores até chegar quase à Fundação do Estado Português. A comprova-lo, temos o documento datado de 1013, uma doação de Dona Unisco Mendes, dos mosteiros de Leça do Balio e de Vermoim, ao Abade do mosteiro de Vacariça, de nome Tudeio, ao de Vermoim, refere entre várias coisas "que concede todas as suas pertenças na villa de Cornato com a Igreja que tem por Orago São Mamede". Ou seja, S. Mamede do Coronado.

No caso de S. Mamede, pelo Direito Dominical, as suas terras eram, na maior parte, dos monges beneditinos do Mosteiro de Santo Tirso; alguns morgados e pessoas particulares eram "direitos senhorios de vários casais da freguesia", o resto era pertença do reino.

Ninguém sabe se nesta altura São Mamede já era Paróquia ou Freguesia. Nesta altura, as duas palavras significavam o mesmo. Apesar de os documentos ainda não permitirem distinguir todas as igrejas paroquias da época, presume-se que S. Mamede já o seria, visto que o culto do Santo Mártir foi introduzido na Península durante o século X, tendo chegado logo de seguida a Portugal e a esta região.

Nas Inquirições de D. Dinis, refere-se o seguinte em relação à Terra da Maia: "Tem mais o julgado da Maia em que moram os seguintes por freguesia... Na freguesia de S. Mamede do Coronado, 45 moradores.", (que significaria 45 habitações).

Nesta altura, S. Mamede era uma das freguesias mais povoadas da Terra da Maia, da qual fez parte até 1836. Das dezenas que constituíam o território, só seis se superiorizavam: Águas Santas, Santiago de Bougado, Alvarelhos, Guilhabreu, Lavra e Perafita.

Ainda durante o reinado de D. Dinis, a freguesia tornou a aparecer documentada. El-Rei, invocando como justificação o propósito de dar lugar aos Mouros de Banamarim, conseguiu do Papa João XXII uma bula que o autorizava a cobrar a décima das rendas de todas as Igrejas do reino. Pela mesma bula foi determinado que o Núncio Apostólico em Portugal percorresse o reino e taxasse todas as igrejas a fim de que o Monarca ficasse a saber com que subsídio podia contar.

Começaram pelo Bispado do Porto e, quando andaram na Terra da Maia, taxaram em 70 libras a Igreja de São Mamede do Coronado.

De referir que ainda que se é duvidoso que D. Dinis projectasse uma campanha militar contra os Mouros, certo é que não chegou a concretiza-la.

Em 15 de Dezembro de 1519, D. Manuel I concedeu foral ao concelho da Maia.

Romanização


Foram as legiões romanas do general Décimo Júnior Bruno a contactar directamente as populações do Noroeste peninsular (138-136 a.C.)

A luta devada a cabo pelos exércitos romanos, para o controlo do território em que hoje se situa Portugal durou cerca de dois séculos. Indicada nos começos do século II a.C., ano em que César Octaviano, o Augusto, termina a campanha.

A ocupação militar romana, com o enquadramento administrativo do território, veio criar condições de aculturação de novos locais, a sua adesão ao saber, aos valores, aos hábitos e formas de comportamento do invasor.

A Península Ibérica foi romanizada. E foi-o de forma profunda. Para além das vicissitudes políticas, houve traços culturais que foram de tal maneira absorvidos pelos povos locais que eles criaram uma nova identidade, ou pelo menos, importantes traços identificadores da sua personalidade.

Uma nova língua, por ela e através de línguas suas derivadas, acabou por monopolizar quase integralmente o espaço peninsular. Uma nova região, o cristianismo romano e imperial, veio introduzir novas fórmulas e formas integradoras, moldar o pensamento religioso de carácter popular. As relações entre os homens passaram a ser regidas por normas criadas em Roma e adaptadas na Península.

Religiosidade

A religião constituía o fundo de toda a vida moral desta população. Era raro haver pessoas que não pertencesse a muitas associações religiosas, confrarias ou irmandades. Parte da sua vida passava-se a discutir assuntos concernentes à religião.

Ao longo dos anos, várias confrarias e irmandades foram-se formando e, em meados do século XVIII já havia oito: a Irmandade Santíssimo Sacramentíssimo Sacramento; a Irmandade da Senhora do Rosário, a Confraria da Senhora do Bom Sucesso; a Confraria do Santo António; a Confraria das Almas; a Confraria do Espírito Santo e a Irmandade do Subsino. Além destas Irmandades e Confrarias, existiam ainda outras devoções, como sejam a de Santo Amaro, a do Senhor Jesus, a de S. Sebastião, a de S. Roque e ainda a de S. Mamede, desde sempre, o padroeiro da Paróquia.

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